Soberania é saber conviver, é agradar; é atrair
Como harmonizar a idéia de não depender de ninguém nem esperar pelos outros com a realidade de que vivemos em grupo e dependemos desse grupo como ele depende de nós?
Como já disse, soberania é fazer o que nos compete fazer, é fazer a minha parte e não deixar para os outros fazerem o que me toca. Soberania não é isolar-se por prepotência e orgulho. Ninguém consegue viver só. Mesmo os reis precisam de súditos e conselheiros, pois são humanos como nós e limitados. Não podemos fazer tudo sozinhos. Isto está no rol do que não podemos fazer, pois somos humanos e limitados. Tampouco devemos querer tudo só para nós, pois nada haverá para nós se não compartilharmos com ninguém. Precisamos de companheiros, de amigos, de pessoas que nos sejam idôneas. Devemos repartir as obrigações, auxiliar-nos mutuamente, delegar deveres e compartilhar os benefícios, pois nem tudo se pode fazer só. Por isto, disse no início do artigo que precisamos saber o que podemos fazer e fazermos somente o que podemos fazer. Se algo não pode ser feito sozinho, não podemos fazer algo. Então descobriremos quantas pessoas é preciso para fazer o que tem que ser feito. Se tentamos fazer sozinhos o que precisa ser feito por mais pessoas, demonstramos presunção, orgulho e egoísmo e o fruto de nosso esforço será fracasso e humilhação. Se tentarmos caçar um elefante sozinhos, no mínimo, teremos que compartilhar a carne, ou então conviver com a carniça ou nos mudar. Na realidade, porém, até mesmo matá-lo sozinho seria difícil.
Pense se você não está tentando abraçar o mundo com as pernas em prol de sua família ou querendo muita coisa que não precisa somente para impressionar seus visinhos ou coisa parecida. Nenhum rei administra sozinho e tampouco vence batalhas brandindo apenas sua própria espada. Ele precisa ter a humildade de admitir que suas conquistas custaram o cansaço e morte de muitos de seu soldados.
De igual modo, não se conquista soberania por hereditariedade e nem por imposição. A natureza humana pressupõe soberania (pois nascemos superiores as demais criaturas) e as leis da sociedade a garantem. Entretanto, natureza soberana e as leis não são suficientes para sustentar a soberania, pois soberania é algo que quanto mais se impõe, menos se demonstra ter. Soberania se produz e o reconhecimento advém de fazer bem feito e voluntariamente o que se pode fazer. Nenhuma pessoa que se exime da fazer o que pode fazer será visto como soberano, sim como desinteressado, fracassado, fraco, covarde.
Tanto é verdade que soberania não se conquista com imposições e leis, que os monarcas antigos que não tratavam seus súditos com respeito facilmente viam-se obrigados a impor-lhes obediência sob a força de leis e das armas, jamais podendo contar com a fidelidade deles, tendo por mais certo a insurreição do que a aclamação.
Wilson do Amaral

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