quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

3. Conquistanto a própria soberania


Soberania é saber conviver, é agradar; é atrair

Como harmonizar a idéia de não depender de ninguém nem esperar pelos outros com a realidade de que vivemos em grupo e dependemos desse grupo como ele depende de nós?
Como já disse, soberania é fazer o que nos compete fazer, é fazer a minha parte e não deixar para os outros fazerem o que me toca. Soberania não é isolar-se por prepotência e orgulho. Ninguém consegue viver só. Mesmo os reis precisam de súditos e conselheiros, pois são humanos como nós e limitados. Não podemos fazer tudo sozinhos. Isto está no rol do que não podemos fazer, pois somos humanos e limitados. Tampouco devemos querer tudo só para nós, pois nada haverá para nós se não compartilharmos com ninguém. Precisamos de companheiros, de amigos, de pessoas que nos sejam idôneas. Devemos repartir as obrigações, auxiliar-nos mutuamente, delegar deveres e compartilhar os benefícios, pois nem tudo se pode fazer só. Por isto, disse no início do artigo que precisamos saber o que podemos fazer e fazermos somente o que podemos fazer. Se algo não pode ser feito sozinho, não podemos fazer algo. Então descobriremos quantas pessoas é preciso para fazer o que tem que ser feito. Se tentamos fazer sozinhos o que precisa ser feito por mais pessoas, demonstramos presunção, orgulho e egoísmo e o fruto de nosso esforço será fracasso e humilhação. Se tentarmos caçar um elefante sozinhos, no mínimo, teremos que compartilhar a carne, ou então conviver com a carniça ou nos mudar. Na realidade, porém, até mesmo matá-lo sozinho seria difícil.
Pense se você não está tentando abraçar o mundo com as pernas em prol de sua família ou querendo muita coisa que não precisa somente para impressionar seus visinhos ou coisa parecida. Nenhum rei administra sozinho e tampouco vence batalhas brandindo apenas sua própria espada. Ele precisa ter a humildade de admitir que suas conquistas custaram o cansaço e morte de muitos de seu soldados.
De igual modo, não se conquista soberania por hereditariedade e nem por imposição. A natureza humana pressupõe soberania (pois nascemos superiores as demais criaturas) e as leis da sociedade a garantem. Entretanto, natureza soberana e as leis não são suficientes para sustentar a soberania, pois soberania é algo que quanto mais se impõe, menos se demonstra ter. Soberania se produz e o reconhecimento advém de fazer bem feito e voluntariamente o que se pode fazer. Nenhuma pessoa que se exime da fazer o que pode fazer será visto como soberano, sim como desinteressado, fracassado, fraco, covarde.
Tanto é verdade que soberania não se conquista com imposições e leis, que os monarcas antigos que não tratavam seus súditos com respeito facilmente viam-se obrigados a impor-lhes obediência sob a força de leis e das armas, jamais podendo contar com a fidelidade deles, tendo por mais certo a insurreição do que a aclamação. 

Wilson do Amaral

2. Conquistando a própria soberania

O QUE É SOBERANIA? 

É ser o sujeito da própria vida; é tomar iniciativa na realização dos próprios intentos; é ter autoridade sobre as próprias ações e assumir a responsabilidade quanto a elas; é levar a vida, em vez de ser levado por ela.
Soberania não é independência em sentido genérico (alsoluto) – não depender de ninguém e de nada para nada. Os próprios reis dependem da existência de súditos que os apóiem, aclamem e sejam uma extensão de seus braços. Soberania também não é fazer o que “dá na telha” e conseguir o que se quer sem se importar com ninguém e com nada, tampouco é dispor do tempo, da boa vontade e da vida das pessoas. Quem assim age torna-se tirano e não soberano. Se agirmos assim, logo produziremos danos as pessoas a volta, pois vivemos em espaço circular e nossas ações produzem efeito helicoidal, como a trajetória de uma hélice. Também não é possível não depender de ninguém e da nada, pois sempre se dependerá de espaço, ar, água, luz, alimento, agasalho, repouso, abrigo, dinheiro, etc.. Não se pode viver sem isso. De igual modo, sempre se dependerá de dinheiro e bens, da boa vontade do patrão para pagar o salário no vencimento, do motorista do ônibus para o coletivo passar no horário, da velocidade da fila do banco, da disposição do médico, da cortesia de um amigo ou parente, do favor de alguém, etc.. Não é possível viver sem nada disso.
Soberania é ser o sujeito da própria vida, não ser sujeitado, dominado e guiado contra a vontade, contra as próprias convicções; é tomar a iniciativa na realização dos próprios intentos, não esperar pelos outros; é ter autoridade sobre as próprias ações e assumir a responsabilidade quanto a elas; é não depender dos outros pra ser, sentir, fazer e ter. Quero dizer:  não requerer dos outros o realizar isso em nós. Soberania é fazer para ser, sentir e ter o que se pode fazer na hora que se tem oportunidade de fazer; é saber identificar o que deve ser feito e fazer o que está à mão para ser feito, sem esperar ou cobrar obrigação ou boa vontade dos outros; é cumprir voluntariamente com as obrigações pessoais e ter boa vontade para fazer por iniciativa própria até mesmo o que não se é obrigado, mas as circunstâncias requerem e a oportunidade se apresenta. Ser soberano é ter espírito sempre voluntário e estar sempre um passo à frente.
Pessoas que procuram saber o que podem fazer e fazem o que podem jamais perdem uma boa oportunidade por culpa da negligência e desinteresse de alguém por quem esperou, a quem incumbiu de suas próprias responsabilidades. Tais pessoas não se decepcionam e nem se irritam com a incompetência ou falta de vontade dos outros. Pessoas assim jamais têm falta de algo por esperar por terceiros e de forma alguma têm o que lamentar e nem, tampouco, do que se queixar, pois em nada suas esperas foram frustradas, pois tudo o que tinha que ser feito elas fizeram com ajuda ou sem ela. Isto é independência, é soberania, pois independência é o poder para fazer o que se pode fazer. Se faz-se o que se pode é porque se pode e isto é poder e poder é soberania e a palavra mais adequada par explicar soberania é liberdade. Soberanos, portanto, são pessoas cujas mentes produzem-lhes liberdade de suas pr´prias mentes, pois elas não são reféns de pensamentos negativos.
Quando ver alguém a reclamar das circunstâncias ou de outras pessoas, a culpar isto, aquilo e terceiros, saiba que tal pessoa não tem autoridade sobre sua vida, ela é teleguiada, não faz o que pode fazer, não realiza o quer e precisa fazer. Pensa que exerce liberdade, mas deixa a vida correr por conta, levá-la, ou faz o que lhe foi incutido, pois vive dominada por pensamentos circulantes, não propriamente os seus, mais os que foi lhe dado pensar que seria melhor para ela. Uma pessoa assim deixa a vida e as circunstâncias levá-la, em vez de levar a vida.

Wilson do Amaral

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

1. Conquistando a própria soberania.

INTRODUÇÃO

Quando éramos pequenos, por raiva de um castigo que recebeu do pai, meu irmão redigiu um poema muito ofensivo, dizendo coisas que não diríamos abertamente. Sendo que o pai descobriu o poema, ao ser inquirido do porque escrevera tais palavras, sem saber explicar-se, meu irmão respondeu que algo mais forte que ele o impulsionou. “A mente”, disse ele, querendo dizer que as expressões no poema não dependeram de sua vontade, mas de uma vontade fora de seu controle, que ele definiu como “a mente”.
Coisas há que realmente fogem ao nosso controle e muitas delas têm a capacidade de afetar nossa vida um pouco, muito e demais.  Porém, a amplitude e permanência de efeito da ação dessas coisas na continuidade de nossas vidas pode ser determinado por nossa vontade.
Um exemplo de coisas que fogem a nosso controle é o galão de tinta que despenca da escada. Não podíamos impedir que o galão caísse justamente na hora que passávamos. Podíamos, porém, não ter passado sob a escada. Não podíamos prever que em determinado ponto da calçada de certa rua um galão pendurado a uma escada cairia justamente na hora que estaríamos passando e assim evitarmos passar naquela rua, naquele exato instante, pois para tal não temos prévia informação, mas uma escada na calçada é um indício de trabalho nas proximidades, prevenindo que o melhor é evitar passar por sob ela, pois onde há atividade, acidentes podem acontecer.
De igual modo, não podemos evitar que o assaltante nos interpele no ponto específico, mas podemos não andar tão tarde, tentar caminhos alternativos, chamar menos a atenção e não transportar muitos valores. Também não podemos evitar que o patrão atrase o pagamento do salário, mas, para não sermos pegos de surpresa, podemos não gastar tudo que ganhamos com coisas desnecessárias bem antes do final do mês.
Em suma, de uma forma ou outra, somos os responsáveis por tudo o que acontece conosco e os sujeitos de toda a nossa vida. Sendo assim, devemos assumir o controle da existência, premeditando a vida para nossa felicidade. 

Wilson do Amaral